quarta-feira, 26 de março de 2025

O ESPETÁCULO DO LANÇAMENTO DO CORDAS E RIMAS, DEZ ANOS DEPOIS.

 Quis o destino que exatos dez anos depois desse dia, eu estivesse em frente ao computador escrevendo sobre ele. E mais: relembrando cada detalhe e voltando num tempo que só agora, depois de tanto, eu consigo valorizar. Escrever o livro da Rima me mostra a cada dia o quanto todas as fases de uma carreira são importantes. E, ao descrever este espetáculo, coincidentemente no aniversário, percebi que esta, iniciada no dia 26 de março de 2015, é a que até hoje mais me impacta.

Até esse dia eu não sabia que era um artista. Claro que o era já há cinco anos, desde quando eu produzia a Galera da Rima, porém, realmente não tinha a menor noção disso.

Esse disco e esse espetáculo não foram escritos nem por mim, nem pra mim. Se eu não tivesse feito nada, teria sido mais um músico, em mais um dia de trabalho, em mais um palco. Teria sido eu, mais um comum naquela banda, que de fato era maravilhosa, mas que estava lá por estar, sem emoção, sem vida.

Algo dentro de mim, já nos primeiros acordes, mudou naquele dia. Eu sentia que desapareceria em meio aos arranjos, e ao destaque que o roteiro dava exclusivamente à cantora. Mas, eu também sabia que o nome CORDAS E RIMAS sempre pertenceu à Paulinho de Campos, e ali, como um herdeiro muito honrado, eu tinha ciência de que era o único responsável por essa MARCA (que, aliás, desde o ano passado é registrada ®, nos protegendo, porventura, de poetinhas por aí).

Nesse dia, eu passei por cima de todo o roteiro e de todos os protocolos do espetáculo. Nesse dia, 10 anos atrás, eu tomei conta de um palco inteiro, sem nunca ter feito nada parecido. Nesse dia, eu combinei com o meu irmão Patrick Hertzog que ele tocasse um solo que havia criado, mesmo sem ter sido autorizado pelo arranjador. Nesse dia, eu não permiti, durante o show, que fosse feita uma homenagem sem contexto a alguém, apesar de estar no roteiro. E fui além: homenageei os meus pais, que eram os únicos responsáveis por todo aquele espetáculo acontecer, e os convidei para subir no palco na última música, assim evitando a invisibilidade deles.

Nesse dia, eu agi como um cantor experiente, dominando e fazendo o público prestar mais atenção em mim do que em qualquer outra pessoa naquele palco. Fiz tudo isso sem ter planejado nada, somente no impulso, tudo na hora.

Nesse dia eu me tornei o músico que sou hoje. Nesse dia eu criei, com o Hert, de fato, o novo Cordas e Rimas. Nesse dia eu decidi, com ele, que dali por diante, nossos discos e espetáculos seriam inteiramente idealizados, roteirizados e realizados por NÓS. E assim foi: com Olhar Viajante, Categorias de Base, Porto Além, entre outros trabalhos que realizamos e estamos realizando.

O dia em que se comemora o aniversário de Porto Alegre, também é para mim, o dia em que eu nasci como artista. E assim, hoje, completando meus 10 aninhos, eu quis compartilhar esse sentimento com o mundo.


CATTULO DE CAMPOS, 26/03/2025.




quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

ACHOU QUE 2024 IA PASSAR EM BRANCO AQUI?

Desde que entrou dezembro eu estou pensando no que escrever aqui, para mater a tradição de ter pelo menos uma postagem por ano. Aliás, em 2025 vai fazer 10 anos da primeira postagem. Talvez eu faça alguma referência... Algo especial... Quem sabe?
Enfim: 2024 foi um ano intenso, e provavelmente muito na vida escreverei sobre o que nele aconteceu. Enquanto isso, encontrei no meu quase falecido perfil no Twitter (x é o caralho) uma reflexão de abril de 2020, que até estranhei de não ter trazido para cá. Continuo pensando dessa forma e acho ela boa, então a reproduzo neste espaço:


Eu vivo entre colegas que:
A - Música é Academia. É eruditismo. É exatidão.
B - Música é Comércio/Negócio.
C - Música é só vibe. Afinar instrumento ou voz? Pra que? O que importa é fazer tua verdade e teu som.
D - Música é agradar pares, críticos e vencer prêmios e festivais.

Cada membro de cada grupo vive a brigar entre si. E a verdade individual (na cabeça dele) é a universal.

Eu sou um eterno aprendiz. Vago entre os quatro, e, por causa disso, vivo ouvindo lições de moral quando defendo qualquer que seja. Não conseguem entender que pode ser tudo isso, simplesmente não conseguem.

A: não entendem que músico intuitivo também pode ser bom.
B: não entendem que podem ganhar dinheiro sem prostituir-se.
C: não entendem que fazer barulho é diferente de fazer música, e que não faz mal ganhar dinheiro.
D: não entendem que tem um mundo muito maior fora do deles.

Longe de mim cagar regra ou julgar arte. Só queria que se dessem conta de que cada defensor, de cada nicho que citei, VIVE fazendo isso. E continua a usar o nome da arte pra se aparecer, num mundinho fechado. E, aqui das categorias de base, encerro esse desabafo.


Cabe lembrar que o formato do Twitter é de miniblog. Se eu tivesse trazido o assunto para cá, certamente teria desenvolvido muito mais. Talvez ainda o faça, não sei! Eu ando repensando no que dizer e para que público. Vocês gostariam? (Perguntou ele, para ninguém).
Para quem não me conhece (disse ele, para ninguém), é um momento ruim para mudar isso, pois atualmente só tem esse espaço para caçar informações, já que desativei todas as redes sociais (por isso "quase falecido" Twitter, eu preciso ativá-lo de 25 em 25 dias para não perder tudo que tem lá). Mas acho que 2025 vai mudar isso, vou aparecer mais pela internet, já que minha profissão demanda isso também.
Para encerrar, duas reflexões rápidas:

1. Acho que foi a primeira vez que usei um palavrão em uma postagem nesse blog. É uma evolução, talvez essa liberdade me traga mais aqui.

2. Cansei de buscar frases ou palavras de efeito pra terminar as crônicas. "Vrindecrivo" e "Bá, Cattulo. Deu." são horrorosas.

https://eltiempolatino.com/2022/11/02/opinion/elon-musk-y-twitter/
Acesso em 26/12/2024
Motivo: eu queria ilustrar o texto e não tinha outra imagem pra colocar, aí resolvi reproduzir essa caricatura feita por Fernando Pinilla, retratando o maior filho da puta do mundo: Elon Musk. Olha, usei o segundo palavrão da história do blog! Estou amando essa nova fase!

sábado, 11 de fevereiro de 2023

AUTOCRÍTICA

Eu não faço ideia se procede, mas na manhã deste quente sábado litorâneo, acordei por acaso, tendo que ligar o celular às pressas (sim, durmo com ele desligado). Resolvido o primeiro perrengue, como bom viciado que sou, abri as redes sociais. Uma postagem me chamou atenção: o trabalho de uma amiga que batalha sua divulgação,  independente, e que eu não tinha me envolvido o suficiente para conhecer. Que falha! De verdade, sem drama ou exagero. Ela está exatamente na mesma luta que eu, e, infelizmente, precisamos dos amigos, nesse começo. Eu me atrasei alguns meses e não tenho coragem de chama-la para me desculpar, pelo menos por enquanto.

Na tentativa de correr atrás do prejuízo, fiz o que me cabe: curti todas as postagens do perfil e comprei o livro na Amazon (espero que ela receba uma porcentagem maior pelo trabalho DELA do que eu recebo, pelo meu, do Spotify). Ajudarei em breve na divulgação, mas não por aqui, porque ninguém lê este blog, e sim em alguma rede que eu tenha mais visibilidade.

Essa situação me fez pensar numa antiga ideia: um trabalho mais elaborado sobre a vida do artista independente, de qualquer área. Não sei onde vou tratar disso, talvez no Café com Girafa.

Bá, Cattulo. Deu.

Imagem: Capa (desfocada, porque a divulgação virá depois) do livro que comprei - e já comecei a ler - hoje pela manhã. Todos os direitos reservados à autora, que é minha amiga e não vai me processar (eu acho).

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

COR DA MATA

Meu primo Felipy e eu compusemos COR DA MATA em 2016. O contexto era de um criminoso que exaltava o nome de um torturador, em pleno Congresso Nacional, e não saia de lá algemado.

Nós éramos jovens, mas inteligentes o suficiente para percebermos a evidente ascensão do fascismo. COR DA MATA nasceu instantaneamente, tanto a letra quanto a melodia. Seu caráter político é quase explícito, e ainda brincávamos: "ainda bem que não vamos precisar maquiar muito, pois a censura AINDA não voltou".

A verdade é que me sinto orgulhoso de escrever História do Tempo Presente, e de que meus camaradas entendem a importância de registrar e musicar a nossa luta. O Felipy e eu sequer imaginávamos o horror que estava por vir, e tantas mortes que a extrema direita, de novo, causaria. Mas sabíamos que o perigo era exatamente esse!

Mesmo que esse ano tenhamos tido uma vitória, e tenhamos conseguido tirar o Mal do cargo de presidente, o fantasma (ou bruxa) da Ditadura Civil-Militar não acabou. Ressuscita o tempo todo, em cada grito golpista na frente de quartéis ou em bloqueios de estradas.

COR DA MATA, infelizmente, sempre será necessária. Ainda que seja só pra lembrar quem nós somos e contra o que lutamos.

"Na mata verde-azul-dourada, corre a ave avermelhada" ...

Semana passada, finalmente o CORDAS E RIMAS trouxe COR DA MATA à vida, em todas as plataformas digitais. Se você que está lendo quiser ouvir, e, principalmente, ajudar a divulgar e espalhar nossa luta, eu agradeço muito! O link para as plataformas digitais está aqui: https://linktr.ee/SingleCordaseRimas.

FOTO: Rudimar Narciso Cipriani/Acervo Pessoal (Acesso em: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2021/10/27/aves-possuem-percepcao-diferente-do-tempo-e-tambem-das-cores.ghtml)

O ESPETÁCULO DO LANÇAMENTO DO CORDAS E RIMAS, DEZ ANOS DEPOIS.

  Quis o destino que exatos dez anos depois desse dia, eu estivesse em frente ao computador escrevendo sobre ele. E mais: relembrando cada d...